Segunda, 01 de setembro de 2014
Novo Doe
Direitos Humanos
07.02.2014
Comentário de jornalista do SBT é alvo de ações no Ministério Público
Adital

As declarações polêmicas da jornalista Rachel Sheherazade, feitas durante o Jornal do SBT, na última terça-feira, 04 de fevereiro, ainda estão repercutindo fortemente, sobretudo nas redes sociais, e mobilizando organizações de direitos humanos e sindicatos de jornalistas para que sua conduta seja investigada. Rachel incitou, em rede nacional, a violência e a prática da justiça com as próprias mãos.

Ao invés de cair no esquecimento o caso está ficando mais sério com o passar dos dias. Nesta quinta-feira, 06, a presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, senadora Ana Rita (PT-ES), se manifestou oficiando a Procuradoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo sobre o caso. Ela solicita a instauração de procedimento e providências para que a jornalista responda por violações aos direitos da pessoa humana, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e por apologia à violência.

Junto ao ofício foi anexada uma nota de repúdio de do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e da Comissão de Ética. "O desrespeito aos direitos humanos tem sido prática recorrente da jornalista, mas destacamos a violência simbólica dos recentes comentários por ela proferidos no programa de04/02/2014”, diz a nota. O Sindicato também pede que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) investigue o caso.

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) também decidiu agir e vai protocolar representação no Ministério Público contra o SBT e a jornalista por crime de apologia ao crime. Circula ainda na Internet uma petição pública para que Rachel seja demitida do SBT.

"Num país que ostenta 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia desmoralizada, a justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro. O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E aos defensores dos direitos humanos que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, faço uma campanha, faça um favor ao Brasil, adote um bandido”.

O comentário da jornalista aconteceu logo após a veiculação de uma matéria que mostrou um grupo de rapazes que prendeu um adolescente acusado de furto e, após acorrentá-lo a um poste, espancou-o, filmou a ação e divulgou as imagens na internet. O caso aconteceu no dia 31 de janeiro deste ano, no Rio de Janeiro.

Gualter Bezerra, advogado do Escritório de Direitos Humanos Frei Tito, com sede em Fortaleza, Estado do Ceará, comentou o assunto em entrevista a Adital.

"Nós estamos acompanhando o caso e vendo a repercussão nas redes sociais. Nós repudiamos totalmente a fala da jornalista. Sabemos que a liberdade de expressão é fundamental, mas há limites. Nesse momento em que os direitos humanos estão sendo vulnerados e rejeitados, nós reafirmamos a luta por esse direito para todos e não aceitamos o pensamento que criminaliza o sujeito, seja ele quem for. Nós permaneceremos atentos à defesa dos direitos humanos”, manifestou.

Essa não é a primeira vez que os comentários de Sheherazade dão o que falar. A respeito dos crimes e condutas inadequadas do cantor Justin Bieber (dirigir alcoolizado, agressão, pichação, abandonar os shows), a jornalista comentou que eram apenas "coisas de adolescente”. Ano passado, quando da visita do Papa ao Brasil, Rachel criticou os ateus ao afirmar que "eles não sabem o que dizem” quando um grupo quis fazer "desbatismo” coletivo na chegada de Francisco. Em 2012, ela concordou com a opinião de Sarney quando este disse que os ateus "não tinham o que fazer” por terem pedido para que a frase "Deus seja louvado” fosse retirada das cédulas de reais.

Dois dias depois do polêmico comentário, a jornalista tentou se explicar durante o jornal afirmando que não defendeu a atitude dos justiceiros, mas sim o direito da população de se defender quando o Estado é omisso, quando a polícia não chega.

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