Sábado, 25 de outubro de 2014
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Artigos - Opinião
10.09.2012
Eleições na Venezuela: A pátria está em jogo
Eva Golinger
Adital

Tradução: ADITAL

A um mês das eleições presidenciais, o, povo soberano luta contra a ameaça de uma elite a serviço das multinacionais e dos interesses estadunidenses que visam retomar o poder no importante país petroleiro

Quando meios internacionais, dias atrás, publicaram artigos destacando somente coisas negativas que acontecem na Venezuela e se intensificam as agressões verbais dos porta vozes de Washington contra o governo venezuelano, enquanto dentro do país aumentam as sabotagens e planos de desestabilização, sabemos que estamos a poucos dias de um importante processo eleitoral. As ameaças contra a soberania da Venezuela revolucionária abundam e as garras imperiais encarnadas em um candidato opositor motivado por sua sede de poder e avareza de comprazer a elite, deixam claro que no próximo dia 7 de outubro, na Venezuela, a pátria está em jogo.

Todas as pesquisas, inclusive as que mais se identificam com o setor opositor na Venezuela, indicam que o presidente Hugo Chávez será reeleito com uma ampla maioria. A empresa de pesquisas Datanálisis, cujo fundador, Luis Vicente León, assinou um decreto ditatorial durante o golpe de Estado contra o presidente Chávez em abril de 2002, dissolvendo todas as instituições democráticas do país; determinou há um mês que a essas alturas Chávez somente poderia perder se houvesse um evento "extraordinário” ou "catastrófico” antes das eleições presidenciais do 7 de outubro. Desde então, tem acontecido múltiplos "acidentes” e incidentes trágicos na Venezuela, incluindo o colapso de uma importante ponte que conecta a capital, Caracas, com o oriente do país; uma terrível explosão na refinaria Amuay, na costa noroeste, deixando um saldo de 41 mortos e mais e 100 feridos; violentos motins em prisões; e um suposto massacre de indígenas na Amazônia.

O governo venezuelano já construiu uma ponte provisória, enquanto reparam a ponte de Cúpira; a refinaria de Amuay está recomeçando a funcionar; enquanto o gabinete de Chávez e o governo regional do Estado Falcón atendem às vítimas do lamentável acidente. Os motins carcerários foram controlados pelas autoridades do Estado e o suposto massacre no Amazonas está sendo investigado. Acidentes ou eventos provocados por uma mão sabotadora, esses acontecimentos têm servido como munições para a campanha nacional e internacional contra a reeleição do presidente Hugo Chávez.

Os Meios

Na Venezuela, uma maioria de meios ainda está em mãos privadas, que mantêm uma postura que ultrapassa a crítica contra o governo venezuelano. Esses meios, que são poderosos canais da agenda opositora, promovem distorções, manipulações e até mentiras e difamações contra o presidente Chávez e seu entorno. Seu trabalho é diário e sua campanha midiática contra o governo de Chávez tem sido incessante e permanente.

No entanto, meios internacionais trabalham por ciclos noticiosos. Somente falam coisas negativas sobre a Venezuela e intensificam sua linguagem tendenciosa quando se aproxima um processo eleitoral de interesse e importância internacional. Em um dia dessa semana, se ler múltiplos titulares sobre a Venezuela em meios estadunidenses que somente falam de morte, de corrupção e de supostas "ameaças” contra os direitos humanos: "Relatório: Refinarias venezuelanas atingidas por má gestão” (CNN); "Bebê venezuelano que havia sido sequestrado foi encontrado morto” (Fox News); "Massacre de indígenas no Amazonas, Venezuela” (Fox News); "Desastre em refinaria revela debilidades em empresa petroleira venezuelana” (Washington Post); "Meios venezuelanos sob assalto” (CBS News); "Jornalistas venezuelanos ameaçados por ‘hackers’ pró governamentais” (Americas Quartely); "Eleições injustas na Venezuela” (Huffington Post); "Meios privados na Venezuela se asfixiam sob o assalto de Chávez” (CPJ Press Freedom Online).

Essa campanha internacional contra Chávez não é nova. Sua intenção está clara: promover a percepção de que na Venezuela se vive sob uma ditadura em caos, violência, instabilidade e sem lei. Segundo essa campanha, que se repete através dos meios nacionais, as instituições do Estado não servem (pelo menos que permitem a vitória eleitoral da oposição), e o país não funciona. Apesar de que nada mais longe da verdade e qualquer pessoa que visita a Venezuela fica assombrada com as amplas liberdades nessa "ditadura” e os extraordinários avanços e conquistas desse governo que "não serve”. Da mesma forma, a percepção negativa e ameaçadora da Venezuela é a que mais circula nos meios mundiais.

Os porta vozes

Um dos principais canais dessas matrizes negativas contra a Venezuela são os porta vozes de Washington. Durante a recente convenção republicana em Tampa, Flórida, Venezuela –sob o presidente Chávez- foi declarada como um "ameaça crescente” contra os Estados Unidos. O candidato republicano Mitt Romney declarou que, caso seja eleito, tomará medidas contra o "ditador Chávez”. O regresso dos republicanos à Casa Branca poderia significar o retorno dos elementos mais perigosos do poder estadunidense, incluindo o infame Roger Noriega, ex-subsecretário de Estado para a América Latina durante o governo de George W. Bush, que, atualmente, dedica-se a difamar, ameaçar e ofender ao presidente Chávez através de seus escritos publicados em diferentes meios estadunidenses.

O ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, também tem se ocupado da tarefa de atacar ao presidente Hugo Chávez em suas declarações e escritos. Há pouco, Uribe montou um show no lado colombiano da fronteira com a Venezuela, reunindo-se com opositores venezuelanos para consolidar a "aliança contra Chávez”. O ex-mandatário colombiano converteu-se em uma patética caricatura que emite ameaças contra o chefe de Estado venezuelano, através de sua conta no Twitter.

Esses obscuros personagens alimentam o léxico violento contra a Venezuela, enquanto tentam pintar o governo de Chávez como a "maior ameaça” contra o poder estadunidense. Sem provas, acusam a Venezuela de patrocinar o terrorismo, o narcotráfico e até planos para atacar aos Estados Unidos desde fictícias bases militares iranianas em território venezuelano.

Os financiadores

Os milhões de dólares continuam fluindo desde as agências de Washington para os grupos políticos da oposição, uma grande parte da qual tem sido investida em sua campanha eleitoral. O presidente Barack Obama havia solicitado um fundo especial em seu orçamento nacional desse ano de 5 milhões de dólares para a campanha opositora na Venezuela. Esse dinheiro foi adicional aos mais de 15 milhões já separados para financiar aos grupos opositores na Venezuela através da Usaid e seus inúmeros contratistas.

O Fundo Nacional para a Democracia (VED) canalizou mais de 1.5 milhão a grupos antichavistas esse ano, enfocando sua "ajuda” especialmente para setores juvenis, de jornalistas e meios privados de comunicação. Segundo seu último relatório, uma parte significativa desses milhões de dólares foi entregue a grupos como Voto Jovem, que se dedicam a promover a campanha contra o presidente Hugo Chávez no seio da juventude. Outra grande parte desse pote de ouro foi para organizações como Espacio Público, dedicadas a denunciar supostas violações contra a liberdade de expressão no país.

O Plano

Toda essa maquinaria –a desestabilização interna, a campanha midiática, as ameaças externas e os milhões que alimentam o conflito- tem um propósito muito claro: tirar Chávez do poder, destruir a Revolução Bolivariana e instalar um governo subordinado à elite e às grandes potências.

O plano da oposição é inegável. Segundo seu próprio programa de governo, acabariam com os programas sociais do governo de Chávez, chamados "missões”. O que restar das "missões”, após seus recortes neoliberais, seria privatizado e convertido em empresas que exploram o povo em vez de atendê-lo. As empresas do Estado seriam privatizadas, dando grandes comissões e contratações para os mais íntimos amigos dos que aspiram governar o país. Os créditos solidários dados ao povo para suas casas, carros, móveis e produtos de consumo seriam aumentados a cifras inatingíveis. Fariam todo o possível para extinguir a chama do poder popular.

Romperiam acordos e relações com países soberanos como Cuba, China, Rússia, Bielorússia, Irã, Bolívia, Equador, Nicarágua e muitos mais com os quais a Venezuela tem importantes convênios para tecnologia, agricultura, alimentação, energia e comércio. Incrementariam relações com Washington e seus aliados, abrindo o país às multinacionais, aos exploradores e aos saqueadores. E a oposição tem tornado público seu desprezo pela integração e união sul-americana: Celac, Unasul e especialmente Alba seria jogados no lixo.

E, o pior: implementariam um Estado repressivo, com uma perseguição violenta contra o chavismo. Já disseram e já o fizeram. Durante o golpe de Estado contra o presidente Chávez em abril de 2002, os mesmos que hoje querem governar perseguiu ministros e colaboradores do governo Chávez para golpeá-los, torturá-los e até assassiná-los. Henrique Capriles Radonski, hoje candidato presidencial da oposição, liderou um assalto contra a Embaixada de Cuba durante esse golpe, apoiando ações violentas contra sua sede diplomática e seu pessoal, incluindo o corte de água e de eletricidade, a proibição de entradas e saídas, a negação de acesso à comida e bebida e a destruição de seus veículos e propriedades. Capriles saltou o muro da Embaixada e entrou ilegalmente –e violentamente- em território soberano e protegido por lei internacional.

Essa é o tipo de gente que quer retomar o poder no próximo dia 7 de outubro na Venezuela e apoderar-se de seus recursos estratégicos. São os mesmos que, há dias, durante um evento de campanha, diante de trabalhadores públicos chamou os operários de "lambebotas”, por apoiar a Chávez. Essa gente não tem somente desprezo pelo povo; o odeia.

Em maio de 2012, o veterano jornalista estadunidense Dan Rather reportou que uma fonte anônima próxima ao presidente Chávez assegurava que o mandatário venezuelano não viveria para ser reeleito em outubro. O mesmo vinha dizendo o obsessivo Roger Noriega, seguido por um coro de pseudojornalistas venezuelanos que repetiam seus rumores com uma perversa agitação. Esse grupo enfermiço do antichavismo apostava para o cumprimento do falso ‘tubazo’ necrofílico de Rather. Ao saber que não seria assim, optaram por seu plano b.

A um mês das eleições presidenciais na Venezuela a violência opositora aumenta e sua tentativa de desacreditar ao processo eleitoral soa mais duro a cada dia. Preparam seus gritos de fraude e suas denúncias de armadilha ante o mundo. Apesar de que o processo eleitoral na Venezuela está blindado e é reconhecido como um dos mais confiáveis e transparentes do mundo, os insaciáveis que querem o poder no país que tem as maiores reservas petrolíferas do mundo não tolerarão uma derrota.

A pátria está em jogo na Venezuela e a pátria tem que ganhar.

[Twitter de Eva Golinger. Detrás de la noticia, programa para RT em espanhol.Eva Golinger no Facebook
Fuente: RT]

Eva Golinger

Advogada e escritora estadunidense

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