Quarta, 23 de abril de 2014
Movimentos Sociais
04.10.2011
Ativistas marcham até Atlapa para entregar demandas resultantes do Fórum Alternativo
Tatiana Félix
Adital

Com brados de "Rios para a vida e não para a morte” e "O planeta não se vende, o planeta se defende”, dezenas de manifestantes encerraram o Fórum Alternativo sobre Mudanças Climáticas A visão desde as cosmovisões indígenas e os movimentos sociais, no último domingo (2), na Cidade do Panamá, com a realização de uma marcha.

Dezenas de ambientalistas, jovens, indígenas, mulheres e campesinos saíram do Parque Omar e seguiram até o Centro de Convenções Atlapa, na capital panamenha, onde está sendo realizada, de 1 a 7 de outubro, a III Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, para entregar a Declaração do Fórum Alternativo aos dirigentes políticos, que contém propostas alternativas de enfrentamento à crise climática. O objetivo da caminhada foi reivindicar o direito de os povos participarem das tomadas de decisão política dos governos, no que se refere à crise global.

Durante a caminhada, os manifestantes demonstravam, principalmente, a sua luta contra a construção de hidroelétricas, que atinge populações no entorno dos rios, e o rechaço à mineração. Entre os presentes na marcha estava o Movimento Campesino em defesa do Rio Cobre (Mocamderco), da província de Santiago de Veraguas.

De acordo com o secretário geral do movimento, Brigido Hernandez, a principal demanda dos campesinos desta região é pelo fim do projeto hidroelétrico no rio Cobre. "A nossa luta de resistência é contra os projetos hidroelétricos, porque não são projetos de desenvolvimento para os povos campesinos e indígenas”, ressaltou.

Para ele, um ato como o Fórum Alternativo é importante para fazer um alerta sobre problemas como aquecimento global e sobre o risco de a população vivenciar uma crise de escassez de água nos próximos anos. A marcha, segundo Brigido, é uma demonstração de que os movimentos sociais do Panamá e de outros países da América Latina estão organizados e atentos a estas questões. "É uma tarefa de todos os seres humanos proteger a vida e proteger a criação. A criação de Deus não se deve converter em mercadoria”, enfatizou.

Em uma manifestação pacífica e organizada, os ativistas chegaram em Atlapa, e foram recebidos por um representante da Cúpula da ONU. Olmedo Carrasquilla, representante dos manifestantes e um dos organizadores do Fórum Alternativo, enfatizou, então, que a demanda dos povos é por participação política, já que comunidades indígenas e campesinas são fortemente afetadas pelos impactos das mudanças climáticas e considerando também que a natureza é um bem de todos e todas.

"Nós, a partir de hoje, vamos fazer uma jornada de vigilância, porque não é justo que nós que somos vítimas da mudança climática não possamos ter direito a voz e voto lá dentro. Porque são países industriais com governos corruptos que tomam decisões e não consultam a gente”, declarou Olmedo Carrasquilla.

Ele enfatizou ainda que a maioria dos panamenhos está descontente com as falsas promessas que não dão soluções às questões socioambientais, que não envolvem apenas o clima, mas também, o modelo de desenvolvimento que prejudica a natureza, a biodiversidade e causa impacto na população. O representante da Cúpula da ONU, que ouviu as demandas, recebeu o documento e se comprometeu em levar as reivindicações para os dirigentes políticos.

 

Fórum Alternativo e Reunião da Cúpula de Durban

O Fórum Alternativo aconteceu em paralelo à III Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas que acontece entre os dias 1º e 7 de outubro no Centro de Convenções Atlapa, na Cidade do Panamá.

Essa Convenção é uma etapa preparatória a Cúpula de Durban, que acontecerá na África do Sul, a partir do dia 28 de novembro deste ano. Uma das principais questões a ser tratada por chefes de Estados é o Protocolo de Kyoto, acordo internacional para redução da emissão dos gases de efeito estufa, cuja vigência termina em 2012. No entanto, alguns países se negam a realizarem um novo período de redução de substâncias contaminantes ao meio ambiente, caso os Estados Unidos e China não aderirem ao acordo.


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