Terça, 23 de setembro de 2014
Novo Doe
Direitos Humanos
13.11.2008
[ Mundo ]
ONU lança relatório sobre cultura, gênero e direitos humanos
Adital

O Fundo de População das Nações Unidas divulgou, nesta semana, o informe “Estado da População Mundial 2008”, que propõe um enfoque com sensibilidade cultural a fim de que a vigência dos direitos humanos seja alcançada. Intitulado “Âmbitos de convergência: cultura, gênero e direitos humanos, o informe conta ainda com um suplemento chamado “Geração da mudança: os jovens e a cultura”.

A questão “Gênero e saúde reprodutiva em situações de conflito” é tratada no capítulo seis do documento. “Desde o fim da guerra fria, os conflitos armados, em sua maioria, foram produzidos dentro de um mesmo país e não entre países diferentes. Entre 1998 e 2007, houve 34 conflitos armados de grande magnitude – todos eles, salvo três, internos – e o total, incluídos os de menor magnitude, foi quatro vezes superior”, afirma o informe.

Nesses conflitos, o número de vítimas civis foi, em muitas vezes, maior que o de baixas dos combatentes. O informe ressalta que muitas dessas vítimas foram mulheres e crianças: “Os conflitos armados ameaçam os direitos da mulher – incluídos os direitos reprodutivos – assim como sua saúde, e podem exacerbar as desigualdades de gênero que têm raízes culturais”.

O documento revela também que, em tempos de guerra, as mulheres cumprem diferentes funções, algumas como combatentes e muitas ocupam os espaços que os homens deixam vazios na vida econômica e política: “Os enfoques com sensibilidade cultural podem ajudar os profissionais do desenvolvimento a mitigar alguns efeitos nocivos dos conflitos, a minimizar a deterioração das relações de gênero e a colaborar com as comunidades locais e com os interessados pertinentes a fim de proteger o progresso obtido em direção a uma maior igualdade de gênero, incluídos os direitos da mulher e os direitos reprodutivos”.

O relatório destaca ainda que esses enfoques podem contribuir também para assegurar que as mulheres sejam transformadas em importantes participantes nos processos de negociação e sejam integradas às ações de reabilitação e reconstrução depois dos conflitos. Segundo o documento, os homens são os principais alvos de ataques numa guerra, porém ressalta que a violência sexual também é uma tática de guerra: “As mulheres são consideradas as protetoras das crianças – do futuro – e portadoras do legado cultural – do passado – de uma nação ou de uma comunidade. Isso as transforma em alvo de ataque”.

De acordo com o documento, as restrições sociais resultantes de normas culturais costumam exacerbar-se durante os conflitos. “Como resultado, as mulheres raramente falam da violência sexual de que são objeto, mesmo quando esta tenha ocorrido em público. Por exemplo, em Kosovo, Croácia e Bósnia e Herzegovina, as mulheres se negavam a denunciar os abusos sexuais padecidos durante a guerra por temor a ser estigmatizadas por suas comunidades”.

Link permanente:
Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para:
Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
Início
Adital na Rede
Artigos mais lidos (nos últimos 7 dias)
  1 2 3 4 5  
Notícias mais lidas (nos últimos 7 dias)
  1 2 3 4 5