Quinta, 30 de outubro de 2014
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Artigos - Opinião
03.09.2008
I Carta de Paulo aos Coríntios: A comunidade em conflito
Rafael López Villaseñor
Adital

1. O autor
Paulo é oriundo da diáspora, nascido e formado no mundo grego. Natural da cidade de Tarso de pais judeus, da tribo de Benjamim (At 23,6). Ele foi criado dentro das exigências da lei e das tradições paternas (Gl 1,14). Era judeu praticante, preocupado com a observância da Lei. Desde o nascimento foi cidadão romano (At 22,25-29), mas sempre se orgulhou de ser judeu e fariseu.  Tinha dois nomes: Saulo, o nome judaico e Paulo o nome grego. É errado dizer que antes da conversão se chamava Paulo e depois Saulo.
Como todos os meninos judeus da época, Paulo recebeu sua formação básica na casa dos pais, na sinagoga do bairro e na escola ligada à sinagoga; como aprender a ler e escrever, estudar a lei de Deus e a história do povo, assimilar as tradições religiosas, aprender as orações e os salmos. O método era: pergunta e resposta, repetir e decorar, disciplina e convivência. Além da formação básica em Tarso, Paulo recebeu uma formação superior em Jerusalém. Estudou aos pés de Gamaliel (At 22,3). Não só era conhecedor a fundo da religião dos pais, mas também, possuía boas noções das filosofias e religiões gregas do seu tempo. Escrevia e falava grego. Enquanto judeu, tinha mentalidade completamente diferente dos gregos. Mas se esforçava para assimilar a maneira de pensar desse povo. Tinha como profissão ser fabricante de tendas (At 18,3), que tinha recebido do pai.
Paulo, do nascimento aos 28 anos de idade foi o judeu observante (Gl 1, 13.23; ICor 15,9;         Fl 3,6); dos 28 aos 41 anos de idade o convertido fervoroso (At 9,3-19); dos 41 aos 53 anos de idade o missionário itinerante (At 9,20-25;); De 53 até a morte aos 62 anos de idade o prisioneiro e o organizador das comunidades. Com suas cartas expressa seu calor e presença nas comunidades fruto da missão.
Ele nunca trabalhou sozinho, sempre com um grupo missionário itinerante, que enfrentou perigos e ameaças constantes (2Cor 11, 23-38) e trabalhou com suas próprias mãos para se sustentar. Ele foi um missionário urbano, que escolheu estrategicamente os grandes centros para facilitar o anúncio do Evangelho a partir das comunidades Judaicas. De personalidade forte, intrépida, às vezes parecia intolerante, mas sobe ser comovente e cheio de ternura.
A perseguição de Nero durou de 64 a 68, levou ao martírio a Paulo e Pedro. Estabelecer o ano exato do martírio é praticamente impossível, mas deve ser colocado entre 66 e 68. Que Pedro e Paulo tenham morrido na mesma ocasião é improvável, mas o martírio dos dois se deu durante a mesma perseguição, talvez, no mesmo ano. Paulo, segundo a tradição, foi decapitado no lugar onde surge hoje a Basílica de São Paulo fora dos muros.

2. A comunidade cristã de Corinto foi fundada por Paulo durante a sua segunda viagem missionária (At 18,1-18). Corinto era a segunda cidade grega com cerca de 500 mil habitantes, com dois portos nas adjacências. Capital da província romana da Acáia.  A prosperidade e a riqueza da cidade estavam baseadas no comércio. Também era famosa pela produção artesanal de cerâmica, madeira e bronze. A língua oficial era o latim, mas o povo falava o grego popular. Havia grandes templos as divindades locais e prédios administrativos de grande importância, como o templo a Afrodite, deusa do amor e da fecundidade. A população era formada por diferentes classes sociais, comerciantes, artesãos, libertos e grande número de escravos. Daquela cidade cosmopolita nasceu pequeno grupo de cristãos, formado em sua maioria por gente pobre, estivadores dos dois portos da cidade. Surgiu assim uma comunidade alternativa, que rompeu com o passado para viver a novidade do Evangelho.
Paulo chegou naquela cidade na primeira metade do ano 50 ou 51, e ficou por lá até depois da primeira metade do ano 52, provavelmente dezoito meses. Os primeiros tempos foram duros. Vinha de Atenas onde sua pregação não tivera êxito e encontrara em Corinto um ambiente muito difícil por causa da hostilidade dos judeus e da corrupção moral que grassava por lá. A chegada do Evangelho a Corinto é narrada em Atos 18, 1-18.  A comunidade cristã era formada por pessoas da camada mais modesta da população (1Cor 1,26-28). Composta pela maioria de pagãos convertidos. Foi em Corinto que se concretizou a ruptura com o judaísmo.

3. Motivo da Carta
Pelo ano 55, já havia na comunidade sinais de que as coisas não andavam muito bem. Paulo escreveu, então, uma primeira carta, que não chegou até nós, na qual recomendava aos cristãos de não terem relações com pessoas de costumes perversos (Cf. 1Cor 5,9), o que demonstra que alguns neófitos ainda estavam seguindo os hábitos maus e a corrupção que medravam na cidade. Em Éfeso, provavelmente no ano 56, o apóstolo Paulo sente a necessidade de escrever à comunidade que fundara durante sua estada em Corinto, entre os anos 50 e 52. Ele quer ajudar a comunidade a superar os conflitos, sobretudo as divisões internas, que colocavam em jogo a identidade e a sobrevivência da comunidade cristã numa rica cidade comercial onde geralmente se buscavam vida fácil e riquezas. Corinto foi à comunidade que mais problemas trouxeram a Paulo. O método que Paulo usa para orientar as comunidades que fundara não tem nada de autoritarismo ou moralismo: antes de tratar dos problemas concretos da comunidade, ele lhe mostra quanto é agradecido a Deus pela existência e pela perseverança dos cristãos de Corinto.
A Carta, portanto é um escrito ocasional onde se trata de casos individuais, da honestidade dos costumes, do matrimônio e do celibato, da idolatria, da Eucaristia, dos carismas e da Ressurreição dos mortos. Um dos motivos que levaram Paulo a escrever aos coríntios foi à questão da ressurreição dos mortos. Para os de cultura grega era difícil aceitar que os mortos pudessem voltar à vida. Negando a ressurreição dos mortos, negavam também a ressurreição de Cristo. A Carta tem um valor doutrinal incomparável e outro valor histórico muito grande para o nosso conhecimento do cristianismo primitivo. Nenhuma outra fonte antiga fala da Eucaristia e dos carismas. Este escrito não foi a primeiro a ser escrita a cidade Grega de Corinto.

Comentários referentes aos textos:

1,1-9 Os dons de Deus nos mantêm firmes até o fim.
Quando Paulo escrevia às comunidades, costumava começar com o endereço, uma saudação e um agradecimento. É um agradecimento fundado em três realidades:
 a) Mediante a pregação, por graça de Deus os coríntios puderam receber a revelação, ou seja, as riquezas da palavra e do conhecimento. Paulo estivera em Corinto o tempo suficiente para pregar o evangelho. Isso não foi mérito de ninguém, mas pura graça, presente de Deus em Jesus Cristo.
 b) Os cristãos de Corinto estão repletos de todos os dons. A abundância de carismas permite aos cristãos conservarem-se firmes no testemunho de Cristo e na esperança da revelação final.
 c) Esta esperança corresponde à contínua fidelidade de Deus, que chama a comunidade para a comunhão com ele e a fortalecerá até o fim.  Talvez, Sóstenes fosse o chefe da sinagoga de Corinto   (At 18, 12-17).
· Qual é saudação da carta aos coríntios?

1,10-16 A comunidade dividida
No interior da comunidade havia serias ameaças como rixas, conflitos, divisões como em muitas das nossas comunidades. Paulo lembra o batismo como ponto de unidade diante das diferenças internas. Corinto era uma cidade portuária com grande diversidade de população o que ocasionava muitos conflitos internos na comunidade.
· Qual é o assunto que está sendo discutido?
· Na nossa comunidade há divisões?

1,17-31 Deus escolheu os fracos para confundir os fortes.
O projeto de Deus é diferente do projeto humano. A comunidade nasceu dos empobrecidos da cidade. Paulo se dirigiu a essa gente porque acreditava no Deus de Jesus Cristo, o Deus do êxodo, que optou pelos fracos e marginalizados, a fim de libertá-los e dar-lhes vida. A elite de Corinto pensava que religião fosse questão de cultura. Para ela seria impossível que Deus se interessasse pelas periferias. Na pessoa e na prática de Jesus se manifesta a sabedoria de Deus, sua justiça, santificação e redenção. A comunidade de Corinto lembra de perto a realidade das pessoas que participam das CEBs: quanto à situação profissional e salarial: desemprego, subemprego, salário mínimo; no tocante à escolaridade: nenhum estudo, grau fundamental incompleto/completo, poucos com grau médio, pouquíssimos com estudos superiores.
· O que significa segundo o texto anunciar o Evangelho?
· Como podemos anunciar o Evangelho na nossa realidade?

2,1-16 A sabedoria de Deus.
Paulo anuncia Jesus Crucificado, que era motivo de escândalo para a cultura da grega. O anúncio de Cristo crucificado é dado a conhecer a comunidade. Deus ao ser morto na cruz pelos poderosos é posto do lado dos que são vitimas do sistema opressor. Os cristãos que aprofundaram a fé possuem a verdadeira sabedoria para poder discernir. Se os Corintos chegam à fé é pela ação de Deus na missão de Paulo.
· Segundo o texto, o que significa anunciar Cristo crucificado?

3,1-23 O agente de pastoral.
Os agentes de pastoral são servidores de Cristo e trabalham para que o projeto de Deus seja conhecido e vivido. O que deles se espera é que sejam fiéis. Quem poderá julgá-los? O julgamento humano, que se baseia em códigos e opiniões socialmente estabelecidas, são sempre parciais e injustos, pois se apoia em aparências e reflete os conflitos de interesse dos grupos sociais. Só Deus pode fazer verdadeira justiça, pois só ele conhece a totalidade e profundidade do homem, para além das aparências e interesses. Paulo como servidor está às ordens e a serviço, não é senhor ou dono das comunidades. Como administrador é depositário de um tesouro que não lhe pertence e deve administrar com fidelidade. Apesar de ter a consciência tranqüila evita inocentar-se ou julgar-se assim mesmo para que o julgamento do Senhor seja totalmente transparente. Os cristãos, em medidas diversas, são servidores e administradores dos mistérios de Deus e do Reino, e como tais, respondem e correspondem com fidelidade. Não compete a ninguém julgar, função reservada ao Senhor Jesus.
· Quais são os problemas que aparecem no texto?
· Os problemas de nossa comunidade são semelhantes aos da comunidade de Corinto?

4,6-20 O testemunho
Paulo convida a comunidade de seguir o testemunho dele, já que ele segue o Evangelho de Jesus Cristo. Paulo é o pai da comunidade e é chamado a orientá-la. Ele dá testemunho de ser apóstolo, isso significa correr risco de vida, passar fome e sede, nudez e maus tratos, trabalhar com as próprias mãos, etc. Timóteo é enviado à comunidade como filho fiel, na pessoa deste a comunidade poderá reconhecer o verdadeiro evangelho herdado de Paulo.
· O que significa ser louco por causa de Cristo?

5,1-6,20 Escândalos e contra testemunho.
Os capítulos 5 e 6 apresentam conflitos fortes na comunidade, que nos levam a ter um retrato das dificuldades enfrentadas.
a) O incesto (5,1-13) a convivência com a mulher do pai ou madrasta (não sabemos se o pai já morreu ou não), isso é motivo de escândalo. Paulo recrimina esse comportamento. A preocupação de fundo é pastoral.
b) O julgamento em tribunais pagãos (6,1-11). Na comunidade havia injustiças e resolvem-se os problemas apelando para a justiça corrupta, o que reforça o ciclo de injustiças.
c) A prostituição (6,12-20), que acabava com a dignidade da pessoa e denegrindo o corpo humano como descartável. O Cristão é chamado a discernir sobre o que convém e o que posso. Havia quem pensa a prostituição como um mal necessário. Paulo afirma que o corpo de cada pessoa é parte do corpo de Cristo.
· O que pensamos do incesto, da corrupção e da prostituição?
· Como resolvemos na nossa comunidade os nossos conflitos?

7,1-40 Aconselhamentos:
Os assuntos relacionados ao corpo, sexo e às relações humanas estavam à flor da pele na sociedade de Corinto. Na cidade se venerava Afrodite deusa do amor. Acreditavam, de acordo com a filosofia grega, que o corpo era a prisão da alma. Alguns filósofos pregavam que o corpo era mau e que o sexo devia ser evitado. Paulo, com relação ao sexo e ao casamento apresenta alternativas,  diante da fragilidade humana ele coloca no devido lugar, embora ele tenha preferência pelo celibato. Mas, o celibato é um dom de Deus, uma vocação, que não é para todos. O matrimônio é o lugar por excelência para a vida sexual e familiar, instituído por Deus desde a criação. Diante dos matrimônios mistos, isto é marido cristão com mulher não cristã, ou vice-versa, a parte cristã santifica a outra parte.   Com relação ao divórcio, Paulo ensina a mesma doutrina do Evangelho. Não importa se a pessoa é celibatária, virgem, ou casada, o que importa que as escolhidas de um estado de vida sejam reflexo da vida do evangelho.
· Quais são os conselhos que Paulo dá a comunidade?
· Como é visto o casamento, o sexo livre e o celibato dentro da nossa sociedade?

8,1-13 As carnes sacrificadas.
Paulo responde a um dos problemas levantados pelos coríntios, ou seja, o das carnes sacrificadas aos ídolos e vendidas nos mercados da cidade. Comer ou não comer? É idolatria ou não? A comunidade estava dividida. Os mais esclarecidos, isto é, os fortes afirmavam: Os ídolos não existem. Portanto, pode-se comer. Os menos esclarecidos, isto é, os fracos tinham suas dúvidas. A opinião de Paulo é clara: Não há problema nenhum em comer dessas carnes, mas a solidariedade deve prevalecer. Portanto, em vez de perder o irmão fraco, por causa do qual Cristo morreu, é melhor abster-se, logo o cristão não devia comer dessa carne oferecida aos ídolos.
· Quais são os problemas que enfrenta a comunidade de Corinto?
· Quais são as dificuldades da nossa comunidade e como superá-los?

9,1-27 A coragem da missão:
O texto tem as imagens do atleta que corre no estádio e a do pugilista. A vitória nesta coroa é por uma coroa imperecível. A corrida de Paulo missionário é uma corrida olímpica, como luta de pugilista. Naquela época a prática missionária era parte essencial do anúncio do evangelho. O missionário tinha determinados direitos, que Paulo renuncia como comer, saber e beber a custas da comunidade, levar a esposa junto nas viagens, receber o sustento econômico (vv 4-6). Ele faz uma opção radical na forma de anunciar o Evangelho gratuitamente, tornando-se “judeu com os judeus, pagão com os pagãos... a fim de ganhar todos para Cristo”. As viagens missionárias de Paulo eram muito difíceis, distâncias longas, perigos nas estradas, etc. Havia também, os problemas da língua, costumes locais, sustento, etc. Paulo sempre em sua missão se dirigia aos grandes centros urbanos. Aí buscava pessoas da periferia, inicialmente aos judeus, após conflitos dirigia-se aos pagãos.
· O que significa para Paulo anunciar o Evangelho?
· Como podemos anunciar o Evangelizar na nossa realidade que vivemos?

10,1-13 Discernir a história
Israel, ao ser libertado do Egito, fez a experiência da solidariedade de Deus, que o protegeu com a nuvem, o fez atravessar o mar Vermelho, o alimentou e lhe saciou a sede. Contudo, não foi fiel (vv. 1-5). Na travessia do mar Vermelho, no maná e na água jorrada da rocha, Paulo vê prefigurações do Batismo e da Eucaristia. A comunidade cristã, o novo Israel, deve estar atenta para não incorrer nas mesmas falhas: cobiça, idolatria, fornicação, desconfiança, murmuração. Paulo compara as duas comunidades, a do êxodo e a cristã, e mostra claramente que o ser cristão supera todas as falhas cometidas pelo Israel do deserto (vv. 6-10). Fazer como fizeram no passado é criar uma sociedade que tem como parâmetro as opressões do Faraó. A comunidade, lendo a história e discernindo os acontecimentos passados, percebe-se envolvida pela pedagogia de Deus. O ser cristão, movido pelo amor, aponta para o ideal da comunhão e solidariedade das pessoas entre si e com Deus. Deus é fiel (v. 13). Cabe aos cristãos conservar e promover esse clima: o que julga estar de pé tome cuidado para não cair (v. 12).
· Quais são os sinais da presença de Deus na nossa caminhada?

10,23-33 O discernimento:
Paulo convida a um discernimento “Tudo é permitido, mas nem tudo convém”. Esta é atitude de todo cristão, saber distinguir as coisas que edificam das que destroem. O livre agir está submetido a valores como a solidariedade, a responsabilidade, o amadurecimento. O texto termina orientando para as celebrações eucarísticas diante dos banquetes oferecidos aos ídolos.
· Quais são as atitudes que mais edificam na comunidade?

11,17-34 A Eucaristia:
O texto é o mais antigo testemunho sobre a eucaristia, escrito no ano 56. As primeiras comunidades celebravam a eucaristia nas casas, precedida por uma refeição fraterna: cada um trazia de casa alimentos para partilhar. Porém, a comunidade de Corinto separou a eucaristia da partilha. Neste contexto, Paulo lembra a instituição da Eucaristia (v 23-26). Ele mostra que a eucaristia é o lugar de comunhão e de partilha de tudo, eliminado os privilégios e as mentalidades diferentes. Eucaristia sem fraternidade e partilha é comungar a própria condenação. Eucaristia é comunhão com Jesus e comunhão com as pessoas. Uma não é possível sem a outra.  Os coríntios haviam perdido de vista a perspectiva transformadora da Eucaristia.
· Por que a Eucaristia não aprova as desigualdades?
· Como fazemos a celebração eucarística na nossa comunidade?

12,1-31 Os dons na comunidade:
Nem tudo procedem do Espírito Santo. Tudo o que não leva ao bem, não provém do Espírito. É provável que alguém, em Corinto, julgando-se movido pelo Espírito, tenha dito uma grave blasfêmia: “Maldito Jesus!” (cf. 12,3a). Para Paulo, a ação do Espírito leva sempre à confissão de que Jesus é o Senhor. A comunidade achava que ter carisma fosse possuir dons extraordinários, como o falar em línguas e profetizar. A visão dos carismas era redutiva e personalística. Paulo mostra quem é quem na comunidade, usando a metáfora do corpo. Muitos membros, cada qual com sua função, formam um único corpo (v. 12). O corpo não só no sentido físico, também o corpo social. Por corpo social entende-se a comunidade como um todo, cada qual com seu jeito, valor e capacidade. Mediante a diversidade dos membros chega-se à unidade em Cristo. Foi ele quem, pelo Espírito,  uniu em Corinto pagãos e judeus, escravos e livres, homens e mulheres, ricos e pobres, gente mais culta e gente menos culta. Todos, em Cristo e no Espírito, formam o corpo social, a comunidade cristã. Por trás da imagem do corpo físico está a do corpo social. “O olho não pode dizer à mão: ‘Não preciso de você’. E nem a cabeça pode dizer aos pés: ‘Não preciso de vocês’” (v. 21). A comunidade precisa pôr em primeiro lugar os pobres. A solidariedade no sofrimento e na alegria.
· Qual é o dom ou carisma mais importante?
· Qual é a preocupação da nossa comunidade com os pobres?

13,1-13 Acima de tudo o amor.
Os coríntios ambicionavam fortemente os dons extraordinários, em vista da promoção pessoal, e não como formas de se solidarizar com os outros. Sem a prática do amor, aquele que possui um desses dons, nada é. Até a coragem de distribuir tudo aos famintos e, mais ainda, de entregar o próprio corpo às chamas, não resistindo ao martírio, se tudo não fosse movido pelo amor, nenhum valor teria. Os vv. 4-7 Temos aí quinze expressões, mostrando o que é e o que não é viver o amor.  Fica claro que amor é ação eminentemente concreta em favor de alguém, no caso a comunidade e as pessoas mais necessitadas, os fracos e os pobres. Amor, portanto, não é sentimento, mas atitude concreta que leva a superar os conflitos, fazendo obras que levem à comunhão com todos, e deixando de fazer o que tenha conotação exibicionista. Cabe à comunidade cristã escolher entre o transitório e o permanente. “O amor jamais passará” (v. 8), pois Deus é amor. O texto relativiza a função das línguas, profecia e ciência. O hino conclui ressaltando a primazia do amor sobre a fé e a esperança. A fé se concretiza no amor. É o amor quem cria laços, supera conflitos, impelindo para frente.
· Por que o amor é o dom mais importante?
· Como podemos viver na nossa comunidade o dom do amor ao próximo?

14,1-25 Os carismas:
O dom de línguas era um dos dons mais estimados pela comunidade de Corinto. Antes de converterem ao Evangelho, os coríntios participavam de cultos a seus deuses com exaltação psicológica e emocional. Paulo não condena esse dom, mas convida almejar outros dons maiores como a profecia.  O dom de línguas não acrescenta nada a comunidade, melhor seria ter outros dons. O objetivo do carisma não é só um beneficio para a pessoa, mas para a comunidade. Profetizar é falar em nome de Deus, testemunhar a própria fé, enquanto que falar em línguas é dom muito pessoal, não serve para a comunidade. O dom que todo Cristão deve adquirir é da profecia, isto é de testemunhar a própria fé.
· O que Paulo disse sobre o dom de línguas?
· Por que o dom da profecia é melhor que de línguas?

15,1-57 A ressurreição dos mortos.
Havia divisões sobre a questão da ressurreição dos mortos. Alguns não acreditavam na possibilidade de uma vida além da morte; outros excluíam a ressurreição, mas admitiam a imortalidade da alma. A filosofia grega afirmava que só o espírito é que tem valor, logo o corpo de nada serviria. Essa confusão dentro e fora da comunidade cristã de Corinto fazia com que o Evangelho perdesse toda capacidade de fermento na sociedade. O conteúdo:  Cristo morreu por nossos pecados,  foi sepultado,  ressuscitou ao terceiro dia e apareceu a Cefas e aos Doze. O sepulcro encerrou a vida terrena de Jesus,as aparições, que podem ser testadas mediante testemunhas oculares, inauguram a nova presença do Cristo na história e na caminhada das comunidades.           A fé se traduz em comunicação da experiência do Cristo ressuscitado, atingindo e transformando as comunidades. Para Paulo, a ressurreição de Jesus é o primeiro fruto maduro de uma grande árvore carregada de frutos. Em sua ressurreição nós também já ressuscitamos. O fato de Jesus ter ressuscitado resgata a dignidade do corpo e das pessoas. Cristo venceu a morte para sempre, abrindo as portas para a vitória da vida sobre a morte. Portanto, os mortos ressuscitarão também, como Cristo ressuscitou. Paulo contrapõe Adão a Cristo: o pecado do primeiro acarretou a morte para todos; a morte-ressurreição do segundo confere vida a todos. A vitória de Cristo, portanto, não será completa enquanto não vencer também naqueles que trazem seu nome. Isso quer dizer que a luta contra a morte é tarefa conjunta de Cristo e dos cristãos. Só quando estes participarem da vida plena em Deus é que Cristo dará por encerrada sua missão.
· Quais são os conflitos da comunidade?
· Como anunciamos a presença de Cristo Ressuscitado na nossa comunidade?

16,1-24 Conclusão da carta:
Paulo escreve da comunidade de Éfeso. Comunidade com muitos agentes de pastoral, os quais são conhecidos pelos coríntios como Apolo, Timóteo, Estéfanes, Acaico, Áquila e Priscila. Paulo faz planos de visitar a comunidade e permanecer um bom tempo (vv 5-7). Ele pretende que a carta seja lida em comunidade e manda “saudações com o beijo santo” (v 20). É o desejo que as tensões se conflitos sejam superados e a fraternidade reine na comunidade.
· Qual é a saudação final de Paulo a comunidade?
· Amamos a exemplo de Paulo nossa comunidade apesar dos problemas e conflitos existentes?

BIBLIOGRAFIA

· BÍBLIA SAGRADA. Edição Pastoral, São Paulo: Paulus, 2004.
· BORTOLINI, José. Como ler a primeira carta aos Coríntios. Superar os conflitos em comunidade. São Paulo: Paulus, 1992.
· CENTRO BÍBLICO VERBO. O amor jamais passará! Entendendo a primeira carta aos Coríntios.  São Paulo: Paulus, 2008.
· SERVIÇO DE ANIMAÇÃO BÍBLICA. A caridade sustenta a comunidade. São Paulo: Paulinas, 2008.
· SILVA, Valmoro da & BARROS, Herbert Vieira. O dom maior é o amor, encontros Bíblicos. Primeira Carta aos Coríntios. Cebi 244. São Leopoldo, 2008.
· SCHNEIDER, Nélio. Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. Cebi 241-242. São Leopoldo, 2008.
· http://www.cursosuperiordeteologia.com.br/CartasPaulinas.htm - Acesso 14.11.07

Rafael López Villaseñor

Missionário Xaveriano. Pároco
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