Domingo, 23 de novembro de 2014
Novo Doe
Economia Solidária
02.09.2008
Crocheteiras encontram novas oportunidades através do associativismo
Adital

No interior nordestino, são poucas as opções de trabalho e renda para a população. Agricultura de subsistência, serviço público municipal, aposentadoria e programas de transferência de renda do governo federal são os principais itens que garantem o viver em municípios como Nova Russas, localizado na região norte do Ceará.

Quando os homens migram em busca de novas oportunidades, as mulheres procuram complementar a renda com atividades artesanais, como o crochê.

No entanto, o fruto do trabalho dessas mulheres era explorado pelos atravessadores, que revendiam as peças por preços altos e ficavam com quase todo o lucro. Foi daí que nasceu a idéia de unir as artesãs em uma associação que fortalecesse as relações de comércio e solidariedade. Há 23 anos, a Associação de Crocheteiras Nova Russenses (Ascron) cumpre este papel.

Segundo a presidente da entidade, Francisca Maria Marcelino Lopes, a idéia de unir as crocheteiras em uma entidade surgiu em 1983, quando a região passava por um grave período de seca, que já durava cinco anos. “Um grupo de seis lideranças que residiam em comunidades diferentes do município tomou a iniciativa de propor uma organização comunitária. A Ascron nasceu a partir da conscientização das crocheteiras de que estavam sendo exploradas no seu trabalho e estavam enriquecendo os atravessadores”, conta.

Para colocar a idéia em prática, a presidente explica que ficou combinado que cada uma dessas lideranças iria conversar com as mulheres de sua comunidade, estimulando-as à participação nessa iniciativa. Ao mesmo tempo buscaram-se meios juntos à Diocese, para estimular a produção de crochê, já que essa era a principal atividade das mulheres.

A Ascron foi criada oficialmente em 1985. Sua principal meta é manter um trabalho de organização das mulheres crocheteiras do município de Nova Russas, por meio do apoio à produção e à comercialização de crochê, além do acompanhamento das artesãs mediante oficinas com temas referentes a gênero, saúde, educação, cadeia produtiva do artesanato, gestão, agricultura familiar e geração de renda.

A associação conta hoje com 100 associadas, distribuídas em oito núcleos na sede do município e na zona rural. “Existem atualmente cinco mil artesãs que trabalham com crochê no município. Sabemos que nosso número de associadas é insignificante dentro do contexto, mas devido à situação econômica atual não é possível acatar mais crocheteiras para o quadro de sócias”, justifica Francisca Maria.

Atualmente, a Ascron é tida como uma entidade de referência para as crocheteiras de Nova Russas e da região para o mercado consumidor de artesanato. Além de garantir condições mais justas de trabalho e renda, Francisca acredita que a associação possibilitou às crocheteiras construir um espaço de poder e de decisão, que permite trocas de experiências e o desenvolvimento da noção de cidadania entre essas mulheres.

O trabalho da entidade recebeu, inclusive, reconhecimento: “Recebemos o primeiro lugar em empreendimentos exitosos liderados por mulheres da Rede de Educação popular entre Mulheres da América Latina e Caribe (Repem). Também fomos agraciadas com o destaque de melhores do ano 2007 em Nova Russas, pela Associação dos Moradores do alto de São Francisco”.

Em Fortaleza, os produtos da associação são encontrados na loja da Ascron, localizada no Centro de Turismo (Encetur). Os produtos também podem ser encontrados em outras feiras de artesanato no interior do Estado e nas feiras nacionais como em Pernambuco, Piauí e Minas Gerais. Atualmente, o principal desafio das crocheteiras da Ascron é buscar apoios para projetos que venham fortalecer a associação economicamente, para que o trabalho possa atingir mais mulheres na produção e geração de renda através de seus produtos.

As matérias sobre Economia Solidária são produzidas com o apoio do Banco do Nordeste do Brasil.

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